Em tempos assim...


Estamos vivendo um momento singular em nossa existência, somos convocados, mesmo sem nossa vontade, a vivenciar o que está acontecendo no mundo, sobretudo, com o nosso próprio interior. Somos colocados à prova, cada um com seu modo particular de reagir, aceitar e compreender o que está ocorrendo. 

    Entramos num período em que somos convidados a nos deparar com nós mesmos e isso para alguns pode ser assustador, entediante ou confuso. A rotina que se manifestava acelerada, exaustiva e agitada não se faz tão presente. O tempo disponível que era raro e privilégio de alguns, hoje se apresenta de modo mais democrático. Inevitavelmente, ficamos a disposição de nós mesmos e em contato com nossa própria humanidade. 

    A incerteza e a ausência de respostas sobre o que está acontecendo e sobre o que virá pode nos deixar ansiosos, pois até pouco tempo era fácil ter resposta para tudo. Constatamos que muitos problemas que tínhamos há décadas foram sanados pelo avanço da tecnologia, mas agora temos que enfrentar o tempo da espera aguardando por soluções, e como gostamos de ter respostas rápidas, pois, “não podemos perder tempo”, ao menos não podíamos nos permitir a isto, quiçá, ter um momento para lidar com a perda e frustração. A impotência de não ter o controle da situação pode nos gerar descontentamento e irritação. 

    Nossa reflexão pessoal muitas vezes é negligenciada, pois temos receio do desconhecido ou do que possa surgir em nós, como se fôssemos estrangeiros em nosso próprio “EU”. De fato, não é fácil reconhecer nossas fraquezas, limitações e vulnerabilidade, contudo, também podemos descobrir potenciais, faculdades e dons que, possivelmente, só estão esquecidos em algum baú no nosso próprio “porão” esperando serem encontrados, retirados da poeira para se tornarem presentes em nossas vidas, trazendo-nos sentido. Em tempos assim, somos desafiados a explorar, descobrir e reinventar a nós mesmos.

Psicólogo: Raphael Miranda

A morte e seus reflexos particulares.

As possíveis reflexões sobre o morrer
A morte e suas significâncias

A morte mesmo com todas as suas significâncias sociais, espirituais e culturais e todas as questões que emergem e norteiam sua existência como “Para onde vamos?”, “Será o fim de tudo?”, “Será que vou encontrar meus entes que se foram?”, “Será que morrer dói?”. Tudo isso ainda pactua com uma resistência de algumas pessoas ao falarem sobre “o morrer”. 

É notório que a morte faz parte do desenvolvimento humano e é o encerramento do nosso ciclo vital. Essa questão é tão evidente que assusta e muitas pessoas preferem por desconsiderar esta realidade emergente. Mas afinal por que a morte assusta tanto?

Geralmente, observamos que a morte está relacionada a doença, sofrimento, acidente, tragédia, violência e dor. Tais fatores são relacionados a algo “súbito”, “Fora do seu curso normal”, “Fora do controle”, “Imprevisível”. Outro aspecto que surge ao falar sobre a morte é o sentimento de perda, seja da família, do lar, da vida que tem ou queria ter. Deste modo, pensar na possível manifestação da morte é, para algumas pessoas, algo pavoroso, gerando angústia e ansiedade. Por outro lado, a morte também pode vir para alguns como alívio, descanso, providência divina, desafogo e etc.

Assim, é sabido que a morte é uma certeza e que por mais que tentamos ignorá-la, ela direta e/ou indiretamente virá ao nosso encontro, isto é inevitável. O que podemos fazer é está aberto para compreender a nossa maneira de lidar com a morte. Está receptivo a vivenciar de forma genuína nossos sentimentos perante a morte e todo o significado que ela tem a cada um de nós, com toda nossa particularidade. 



Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.


E então serás eterno.