Depressão: é preciso falar sobre o assunto.

A falta de apoio e o medo do estigma prejudicam na procura de ajuda contra a depressão.
Depressão: É preciso falar.
O aumento significativo de pessoas com depressão vem preocupando os principais órgãos de saúde por todo o mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a falta de apoio e o medo do estigma são um dos principais motivos que impedem as pessoas com a depressão de terem acesso a um tratamento. 

Considerando os motivos apontados pela OMS, infelizmente, não é difícil encontrar alguma visão equivocada acerca da pessoa com depressão, como por exemplo: "Isso é frescura", "gosta de chamar atenção", "adora um drama", “isso é falta de amor próprio”, entre outros. Esses tipos de julgamentos, geralmente, estão associados à falta de informação ou a um conhecimento distorcido sobre o assunto, isto tende a dificultar uma possível recuperação do indivíduo.  

É necessário frisar que, basicamente, o tratamento da depressão envolve a psicoterapia e o medicamento antidepressivo. Ocorre que, em geral, devido à falta de informação, algumas pessoas acabam não buscando um tratamento, pois ainda acreditam que “Psicólogo é coisa de louco” ou “Psiquiatra vai passar remédio de maluco”. 

Assim, precisamos falar sobre a depressão e buscar compreender que a mesma não é uma “frescura” e sim uma doença grave e a principal causa de problemas de saúde e incapacidade em todo o mundo. Cabe ressaltar que a depressão também é um fator de risco importante para o suicídio, que acomete cerce de milhares de vidas a cada ano. Deste modo, é preciso discorrer sobre o assunto e esclarecer que a depressão é uma doença e que existe possibilidade de tratamento e ajuda. Vamos conversar?.

Psicólogo: Raphael Miranda. 

Resiliência: Um potencial interno

O que lhe faz resiliente? O que lhe faz seguir?
O que lhe faz resiliente?
Resiliência é um conceito que vem sendo discutido amplamente no meio acadêmico trazendo uma ótica desde a Física à Psicologia. A definição do termo é ampla e dá margem para uma discussão mais aprofundada e abrangente desta temática, devendo considerar, por exemplo, o contexto histórico e social o qual está inserida, porém este texto não tem objetivo de se aprofundar neste aspecto. No entanto, é preciso ressaltar que para a Psicologia o conceito de resiliência consiste basicamente na capacidade humana diante das adversidades e sobre a potencialidade de adaptação e superação do homem. 

Possivelmente já nos deparamos com alguma pessoa que passou por algum sofrimento profundo em sua vida, mas apesar deste episódio conseguiu retomar seu caminho de forma fluida. A questão é: Por que algumas pessoas conseguem lidar com uma adversidade e outras não? Como aquela pessoa obtém a capacidade de viver e superar o sofrimento, a dor, a perda, a solidão e o medo e outra não? 

Sobrevivente dos campos de concentração em Auschwitz, o autor e Psiquiatra Viktor Frankl, que teve esta experiência relatada no seu livro “Em busca de sentido”, ressalta que dentro de cada pessoa há um potencial que permite lidar com adversidades externas. “A pessoa interiormente pode ser mais forte do que seu destino exterior, e isso não somente no campo de concentração. Sempre e em toda parte, a pessoa está colocada diante da decisão de transformar sua situação de mero sofrimento numa realização interior de valores”. Mas que potencial seria este? Para o autor seria a capacidade da pessoa em dar sentido a estes momentos de dor, sofrimento e angústia. “Também há sentido naquela vida que – como no campo de concentração – dificilmente oferece uma chance de se realizar criativamente e em termos de experiência”. 

Analogamente, o autor e Psicólogo Carl Rogers também enfatiza que dentro de cada indivíduo há um potencial capaz de fazê-lo continuar sua vida em processo de crescimento e amadurecimento independente dos atravessamentos que passou. “O indivíduo traz dentro de si a capacidade e a tendência latente se não evidente, para caminhar rumo à maturidade. [..] Isto se mostra evidente na capacidade do indivíduo para compreender aqueles aspectos da vida e de si mesmo que lhe estão causando dor e insatisfação”. 

Deste modo, a resposta sobre o que nos faz resilientes, o que nos permite continuar fluindo e ressignificando apesar das adversidades está dentro de cada um de nós. Sendo assim, será que você conhece seu potencial interno? Será que você perdeu a capacidade de ouvir a si mesmo? Acredite! Você tem suas respostas. 


Referencias:

Frankl, V. E. (2008). Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração (W. O. Schlupp & C. C. Aveline, trad.). São Leopoldo: Sinodal. (Trabalho original publicado em 1946). 

Rogers, R. Carl, Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 2009. 

Taboada, Nina G., Legal, Eduardo J., & Machado, Nivaldo. (2006). Resiliência: em busca de um conceito. Journal of Human Growth and Development, 16(3), 104-113. Recuperado em 20 de setembro de 2018, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-12822006000300012&lng=pt&tlng=pt.