Depressão: é preciso falar sobre o assunto.

A falta de apoio e o medo do estigma prejudicam na procura de ajuda contra a depressão.
Depressão: É preciso falar.
O aumento significativo de pessoas com depressão vem preocupando os principais órgãos de saúde por todo o mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a falta de apoio e o medo do estigma são um dos principais motivos que impedem as pessoas com a depressão de terem acesso a um tratamento. 

Considerando os motivos apontados pela OMS, infelizmente, não é difícil encontrar alguma visão equivocada acerca da pessoa com depressão, como por exemplo: "Isso é frescura", "gosta de chamar atenção", "adora um drama", “isso é falta de amor próprio”, entre outros. Esses tipos de julgamentos, geralmente, estão associados à falta de informação ou a um conhecimento distorcido sobre o assunto, isto tende a dificultar uma possível recuperação do indivíduo.  

É necessário frisar que, basicamente, o tratamento da depressão envolve a psicoterapia e o medicamento antidepressivo. Ocorre que, em geral, devido à falta de informação, algumas pessoas acabam não buscando um tratamento, pois ainda acreditam que “Psicólogo é coisa de louco” ou “Psiquiatra vai passar remédio de maluco”. 

Assim, precisamos falar sobre a depressão e buscar compreender que a mesma não é uma “frescura” e sim uma doença grave e a principal causa de problemas de saúde e incapacidade em todo o mundo. Cabe ressaltar que a depressão também é um fator de risco importante para o suicídio, que acomete cerce de milhares de vidas a cada ano. Deste modo, é preciso discorrer sobre o assunto e esclarecer que a depressão é uma doença e que existe possibilidade de tratamento e ajuda. Vamos conversar?.

Psicólogo: Raphael Miranda. 

Resiliência: Um potencial interno

O que lhe faz resiliente? O que lhe faz seguir?
O que lhe faz resiliente?
Resiliência é um conceito que vem sendo discutido amplamente no meio acadêmico trazendo uma ótica desde a Física à Psicologia. A definição do termo é ampla e dá margem para uma discussão mais aprofundada e abrangente desta temática, devendo considerar, por exemplo, o contexto histórico e social o qual está inserida, porém este texto não tem objetivo de se aprofundar neste aspecto. No entanto, é preciso ressaltar que para a Psicologia o conceito de resiliência consiste basicamente na capacidade humana diante das adversidades e sobre a potencialidade de adaptação e superação do homem. 

Possivelmente já nos deparamos com alguma pessoa que passou por algum sofrimento profundo em sua vida, mas apesar deste episódio conseguiu retomar seu caminho de forma fluida. A questão é: Por que algumas pessoas conseguem lidar com uma adversidade e outras não? Como aquela pessoa obtém a capacidade de viver e superar o sofrimento, a dor, a perda, a solidão e o medo e outra não? 

Sobrevivente dos campos de concentração em Auschwitz, o autor e Psiquiatra Viktor Frankl, que teve esta experiência relatada no seu livro “Em busca de sentido”, ressalta que dentro de cada pessoa há um potencial que permite lidar com adversidades externas. “A pessoa interiormente pode ser mais forte do que seu destino exterior, e isso não somente no campo de concentração. Sempre e em toda parte, a pessoa está colocada diante da decisão de transformar sua situação de mero sofrimento numa realização interior de valores”. Mas que potencial seria este? Para o autor seria a capacidade da pessoa em dar sentido a estes momentos de dor, sofrimento e angústia. “Também há sentido naquela vida que – como no campo de concentração – dificilmente oferece uma chance de se realizar criativamente e em termos de experiência”. 

Analogamente, o autor e Psicólogo Carl Rogers também enfatiza que dentro de cada indivíduo há um potencial capaz de fazê-lo continuar sua vida em processo de crescimento e amadurecimento independente dos atravessamentos que passou. “O indivíduo traz dentro de si a capacidade e a tendência latente se não evidente, para caminhar rumo à maturidade. [..] Isto se mostra evidente na capacidade do indivíduo para compreender aqueles aspectos da vida e de si mesmo que lhe estão causando dor e insatisfação”. 

Deste modo, a resposta sobre o que nos faz resilientes, o que nos permite continuar fluindo e ressignificando apesar das adversidades está dentro de cada um de nós. Sendo assim, será que você conhece seu potencial interno? Será que você perdeu a capacidade de ouvir a si mesmo? Acredite! Você tem suas respostas. 


Referencias:

Frankl, V. E. (2008). Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração (W. O. Schlupp & C. C. Aveline, trad.). São Leopoldo: Sinodal. (Trabalho original publicado em 1946). 

Rogers, R. Carl, Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 2009. 

Taboada, Nina G., Legal, Eduardo J., & Machado, Nivaldo. (2006). Resiliência: em busca de um conceito. Journal of Human Growth and Development, 16(3), 104-113. Recuperado em 20 de setembro de 2018, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-12822006000300012&lng=pt&tlng=pt.

Em tempos assim...


Estamos vivendo um momento singular em nossa existência, somos convocados, mesmo sem nossa vontade, a vivenciar o que está acontecendo no mundo, sobretudo, com o nosso próprio interior. Somos colocados à prova, cada um com seu modo particular de reagir, aceitar e compreender o que está ocorrendo. 

    Entramos num período em que somos convidados a nos deparar com nós mesmos e isso para alguns pode ser assustador, entediante ou confuso. A rotina que se manifestava acelerada, exaustiva e agitada não se faz tão presente. O tempo disponível que era raro e privilégio de alguns, hoje se apresenta de modo mais democrático. Inevitavelmente, ficamos a disposição de nós mesmos e em contato com nossa própria humanidade. 

    A incerteza e a ausência de respostas sobre o que está acontecendo e sobre o que virá pode nos deixar ansiosos, pois até pouco tempo era fácil ter resposta para tudo. Constatamos que muitos problemas que tínhamos há décadas foram sanados pelo avanço da tecnologia, mas agora temos que enfrentar o tempo da espera aguardando por soluções, e como gostamos de ter respostas rápidas, pois, “não podemos perder tempo”, ao menos não podíamos nos permitir a isto, quiçá, ter um momento para lidar com a perda e frustração. A impotência de não ter o controle da situação pode nos gerar descontentamento e irritação. 

    Nossa reflexão pessoal muitas vezes é negligenciada, pois temos receio do desconhecido ou do que possa surgir em nós, como se fôssemos estrangeiros em nosso próprio “EU”. De fato, não é fácil reconhecer nossas fraquezas, limitações e vulnerabilidade, contudo, também podemos descobrir potenciais, faculdades e dons que, possivelmente, só estão esquecidos em algum baú no nosso próprio “porão” esperando serem encontrados, retirados da poeira para se tornarem presentes em nossas vidas, trazendo-nos sentido. Em tempos assim, somos desafiados a explorar, descobrir e reinventar a nós mesmos.

Psicólogo: Raphael Miranda

A morte e seus reflexos particulares.

As possíveis reflexões sobre o morrer
A morte e suas significâncias

A morte mesmo com todas as suas significâncias sociais, espirituais e culturais e todas as questões que emergem e norteiam sua existência como “Para onde vamos?”, “Será o fim de tudo?”, “Será que vou encontrar meus entes que se foram?”, “Será que morrer dói?”. Tudo isso ainda pactua com uma resistência de algumas pessoas ao falarem sobre “o morrer”. 

É notório que a morte faz parte do desenvolvimento humano e é o encerramento do nosso ciclo vital. Essa questão é tão evidente que assusta e muitas pessoas preferem por desconsiderar esta realidade emergente. Mas afinal por que a morte assusta tanto?

Geralmente, observamos que a morte está relacionada a doença, sofrimento, acidente, tragédia, violência e dor. Tais fatores são relacionados a algo “súbito”, “Fora do seu curso normal”, “Fora do controle”, “Imprevisível”. Outro aspecto que surge ao falar sobre a morte é o sentimento de perda, seja da família, do lar, da vida que tem ou queria ter. Deste modo, pensar na possível manifestação da morte é, para algumas pessoas, algo pavoroso, gerando angústia e ansiedade. Por outro lado, a morte também pode vir para alguns como alívio, descanso, providência divina, desafogo e etc.

Assim, é sabido que a morte é uma certeza e que por mais que tentamos ignorá-la, ela direta e/ou indiretamente virá ao nosso encontro, isto é inevitável. O que podemos fazer é está aberto para compreender a nossa maneira de lidar com a morte. Está receptivo a vivenciar de forma genuína nossos sentimentos perante a morte e todo o significado que ela tem a cada um de nós, com toda nossa particularidade. 



Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.


E então serás eterno.

Paciência: Compreendendo processos, aceitando etapas.

Compreendendo o processo e aceitando etapas.
Ser paciente?
Observo o quanto a Paciência é de fato uma virtude. Somos convidados todos os dias a dar o próximo passo, a “correr atrás”, “ir além” dos nossos limites e não “ficar para trás”, então, em meio a tantas exigências, inevitavelmente, podemos perder a Paciência. Quem nunca ficou irritado com alguém que apenas nos orientou a ser mais paciente? Compreensivamente a questão não é fácil! Nossa rotina nos exige desafios constantemente. O tempo vai passando, o vencimento das contas vem cada vez mais rápido, os prazos no trabalho e no estudo se estreitam numa velocidade assustadora, os afazeres domésticos parecem que nunca têm fim. Então nos perguntamos: como ter paciência? 

Costumamos compreender a Paciência como um ato de aguardar, não se abalar ou saber esperar. Todavia ser paciente vai além, ou seja, nos convida a aceitar o processo e reconhecer nossos limites. Não podemos ter uma árvore sem antes plantar a semente e regá-la. Ao fazer um bolo é necessário separar os ingredientes, misturá-los e colocar no fogo na temperatura ideal. Tudo isso requer tempo e uma dedicação diária, alguns mais e outros menos. 

Em nossas vidas nos deparamos com muitos desses processos, no entanto, acabamos algumas vezes não respeitando o curso. Assim, começamos a pular etapas ou a trocar semente por ingrediente, árvore por bolo... Deste modo, paciência nos exige respeitar o ciclo, compreender as etapas e aceitar o processo, até mesmo se não der certo. Isso mesmo! Não temos garantias que a árvore vá crescer antes de ser cortada ou que o bolo cresça, mas não fique tão saboroso. Todavia, podemos preservar nossa energia ao invés de querer controlar o que está além no nosso alcance. Aprendendo a respeitar nossos limites, o do próximo e do universo. 

Será que é Bipolar??

Constantemente, deparo-me com pessoas que afirmam que algum amigo, parente ou conhecido “É Bipolar”. Geralmente, esta “conclusão” se estabelece devido à pessoa apresentar características como: “Uma hora fala uma coisa e depois muda”, “Um dia está satisfeito no outro dia insatisfeito”, “As vezes fala comigo, outras não fala”. Deste modo, será que esses critérios populares, realmente, definem se uma pessoa é ou não "Bipolar”?

Primeiramente, é preciso frisar que o transtorno Bipolar, ou também conhecido como transtorno maníaco-depressivo, é uma condição psiquiátrica caracterizada por episódios de depressão maior e mania (Tipo I) ou depressão maior e hipomania (Tipo II). 

A mania é um período de humor diferente do habitual, com duração mínima de uma semana e presente na maioria dos dias, caracterizada por autoestima inflada ou grandiosidade; redução da necessidade de sono; necessidade de falar mais do que o habitual; fuga de ideias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão acelerados; aumento da atividade dirigida a objetivos. O que diferencia a mania da hipomania é que na hipomania sua alteração de humor, diferente do habitual, tem duração mínima de quatro dias. 

A depressão maior é caracterizada pela presença de pelo menos cinco sintomas entre: Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias; Acentuada diminuição de interesse ou prazer em todas, ou quase todas, as atividades na maior parte do dia; Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta; redução ou aumento no apetite quase todos os dias; Insônia ou hipersonia quase diária; Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias; Fadiga ou perda de energia quase todos os dias; Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada; Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar; Pensamentos recorrentes de morte. Isto, se os sintomas estiveram presentes durante o mesmo período de duas semanas e representam uma mudança em relação ao funcionamento anterior. 

Assim, para uma pessoa ser diagnosticada como o transtorno Bipolar, deve apresentar os critérios acima apresentados. Cabe ressaltar que os sintomas também devem apresentar característica de causar um sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo, considerando também a frequência dos episódios, para serem precisamente diagnosticados. Cabe ressaltar que o diagnóstico só pode ser feito por um profissional devidamente habilitado e capacitado. 

Fonte: Dalgalarrondo, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre - Artemed, 2008. 

DSM-5 / [American Psychiatnc Association, traduç . Maria Inês Corrêa Nascimento ... et al.]; revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli... [et al.]. - . e . Porto Alegre: Artmed, 2014.

Multiplicidade da mulher contemporânea

A mulher contemporânea vem ganhando cada dia mais espaço na sociedade e assumindo papeis antes desempenhados apenas por homens.
Multiplicidade da mulher
A mulher contemporânea vem ganhando cada dia mais espaço na sociedade e assumindo papéis antes desempenhados apenas por homens. Esta mudança vem atingindo sua rotina e até mesmo seus projetos de vida. Atualmente, a mulher tem investido em construir uma carreira profissional, aumentar a sua dedicação aos estudos, participar da renda familiar e atingir uma independência financeira. 

Diante de tais fatos podemos perguntar: O que ocorreu com a mulher cuidadora do lar e responsável direta na educação dos filhos? Ocorre que ela continua com a mesma função, porém, acrescida de outros projetos de vida, como: carreira, estudos e etc.

Percebo o quanto é difícil encontrar uma análise crítica sobre o quê essas mudanças podem interferir e causar nas mulheres atualmente. Essa transformação vem sendo traduzida com total naturalidade, como se fosse muito fácil assumir esta multiplicidade de papéis traduzidos em “Ela dá conta de tudo”, “Hoje em dia todo mundo dá seu jeito”. 

Fico muito contente em perceber o espaço que a mulher contemporânea vem conquistando todo esse tempo, contudo, fico preocupado com as condições físicas e mentais envolvidas em toda essa metamorfose. Desperto a minha atenção à forma de como esses papeis “devem” ser assumidos. “Boa mãe”, “Eficiente gestora”, “ótima cozinheira”, “esposa atenciosa”, “excelente educadora”, dentre outros. Será que alguém está disposto a compreender que muitas das vezes ela pode não dar conta de tudo isso? A cobrança, às vezes, pode ser insensível e cruel, não me parece claro se é direcionada a uma pessoa ou a uma “Super poderosa”. Contudo, creio que é necessário compreender e considerar a mulher livre, independente, mas, sobretudo humana.   

Um olhar para além do diagnóstico

Da diversidade psicológica a compreensão diagnóstica.
Da diversidade diagnóstica

Em sua gênese a palavra diagnóstico surge da palavra grega diagnõstikós que significa "faculdade de conhecer", "ver através de". Atualmente a palavra é utilizada como um modo mais profundo de conhecer um fenômeno ou realidade, por meio de uma metodologia técnica e/ou teórica. 

No âmbito das doenças mentais o diagnóstico foi extremamente importante, pois proporcionou uma maior compreensão das manifestações clínicas de sinais e sintomas que emergiam. Isto contribuiu para uma evolução nas estratégias de tratamento possibilitando uma melhor intervenção terapêutica, principalmente a medicamentosa. Contudo, será que o reconhecimento de um diagnóstico é suficiente na relação de ajuda?

Cabe ressaltar que o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), reconhece que mesmo existindo uma classificação formal de transtornos mentais nem sempre os mesmos se enquadram totalmente dentro dos limites exclusivo de um único transtorno, ou seja, a variância de sinais e sintomas podem abarcar vários transtornos de forma categórica, variando também de indivíduo para indivíduo. 

O diagnóstico prévio pode ser um norte a fim de ajudar no melhor entendimento do que o outro está sentindo. No entanto, o Psicólogo em seu exercício profissional deve buscar compreender empaticamente o que este diagnóstico significa para o indivíduo e o que isto pode impactar na sua vida seja pessoal, profissional e afetiva. É necessário “ver através de”, “além de”. 

Deste modo, é preciso que o Psicólogo acolha a pessoa em sua totalidade, reconhecendo que nenhuma pessoa é igual a outra, embora o nome diagnosticado possa ser o igual, o modo de como ele se manifesta é singular. Por isso, é importante não acolher a “doença” ou “diagnóstico”, mas a pessoa e de forma respeitosa compreender, junto com ela, tudo o que isto representa em sua vida: seja medo, vergonha, raiva, desânimo, injustiça, culpa, preconceito, dúvida ou qualquer coisa que nela emergir. Vale ressaltar que cada profissional também tem a sua forma singular de trabalhar, busco elucidar aqui apenas o que eu acredito ser um comprometimento ético com a pessoa.

Fonte:

ARAUJO, Maria de Fátima. Estratégias de diagnóstico e avaliação psicológica. Psicol. teor. prat., São Paulo , v. 9, n. 2, p. 126-141, dez. 2007 

DSM-5 / [American Psychiatnc Association, traduç . Maria Inês Corrêa Nascimento ... et al.]; revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli... [et al.]. - . e . Porto Alegre: Artmed, 2014.

Como assim Síndrome do Pânico?

Geralmente é a pergunta que muitas pessoas fazem ao serem diagnosticadas com a Síndrome do Pânico.
PÂNICO?
Geralmente é a pergunta que muitas pessoas fazem ao serem diagnosticadas com a Síndrome do Pânico*. Isso provavelmente ocorre pelo fato de que os sintomas apresentados durante um ataque de Pânico podem ser confundidos com outras condições médicas como: Arritmias, Asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) ou Infarto Agudo do Miocárdio, por exemplo. Não é raro as pessoas relatarem durante o Ataque de Pânico sensações como: “Pensei que ia morrer”, “Achava que ia me sufocar”, “Pensei que ia enfartar”.
Assim, sabiamente a pessoa procura um médico inicialmente para investigar sobre essas condições clínicas. Em geral, procuram mais de uma especialidade médica (cardiologista, neurologista, clínica médica), onde são realizados exames e procedimentos diagnósticos. Contudo, considerando a Síndrome do Pânico, esses exames dificilmente apresentarão alguma resposta fora da “normalidade” referida pela especificidade da pessoa. Daí vem os questionamentos “Como assim não tenho ‘NADA’?” “Eu sinto meu coração acelerar de repente” “Sinto falta de ar sem motivo!”. Assim, na ausência de fatores fisiológicos, vem a suspeita de “algo psíquico e emocional” o que para alguns pode ser, inicialmente, um “alívio” ou algo muito assustador “o quê é isso, estou enlouquecendo?”.                    
Então, o que é a síndrome do Pânico? É uma síndrome (conjunto de sintomas) caracterizada por recorrentes e inesperados ataques de pânico, ou seja, um surto repentino de medo intenso ou desconforto intenso que alcança um pico em minutos ocorrendo sintomas como: Taquicardia, suor intenso, tremores, sensação de falta de ar, dor ou desconforto no tórax, náusea, sensação de tontura, formigamento, dentre outros. Cabe ressaltar que fatores como o medo de ter novas crises e a preocupação persistente acerca das consequências causadas pela crise estão presentes no curso da doença.
Como ressaltado anteriormente, o diagnóstico para a síndrome do Pânico deve ser muito criterioso já que os sintomas apresentados podem ser gerados por outra condição médica como: hipertireoidismo, disfunções vestibulares (Vertigem, tontura), transtornos convulsivos e condições cardiopulmonares como: arritmias, asma, doença pulmonar obstrutiva crônica DPOC. Além disso, os sintomas também podem ser concebidos por consequência fisiológica direta de uma substância como, por exemplo: cocaína, anfetaminas e cafeína.
Por todas essas razões, o diagnóstico diferencial deve ser prioritário e prudente para considerar a Síndrome do Pânico, devido a uma série de situações clínicas e psicológicas serem semelhantes a ela. Deste modo, ao manifestarem alguns dos sintomas apresentados, é preciso que a pessoa procure, de imediato, um médico para realização de exames e investigar a queixa sintomática. Após toda apuração recomendada e os resultados apontarem para a Síndrome do Pânico, o acompanhamento Psiquiátrico e Psicológico são necessários para o restabelecimento da saúde do indivíduo.
* De acordo com o DSM V, a terminologia correta é Transtorno do Pânico. Contudo, decidi manter como Síndrome do Pânico, pois é um nome mais usual popularmente, além disso, creio que síndrome ajuda na compreensão já que a mesma significa um conjunto de sintomas.

E quando o sono não vem?

Reflexões diante da ausência do sono.
Cadê o sono?
Dificilmente encontramos alguém não saiba o que é experimentar aquele dito popular de “passar uma noite em claro” ou “não conseguir pregar o olho a noite”. Estatisticamente cerca de um terço da população adulta tem pelo menos alguns dias de insônia clinicamente significativa durante o ano. No Brasil, cerca de 10 a 40% das pessoas apresentam queixas de insônia. 

A insônia é um dos sintomas mais recorrente em saúde mental caracterizada pela dificuldade em adormecer, manter o sono ou pelo despertar muito precoce não conseguindo voltar a dormir. A insônia aguda geralmente ocorre associada a quadros de ansiedade aguda, tensão, preocupação excessiva ou depressão. Já a insônia terminal, frequentemente, está relacionada a quadros depressivos. 

Cabe ressaltar que existe uma variabilidade muito grande em relação ao padrão de sono, por exemplo, há pessoas que se sentem bem e ativas dormindo apenas cinco horas ao dia, outras já necessitam de dez horas de sono para se sentirem vitalizadas durante o dia. 

É preciso alertar que muitas pessoas utilizam de forma banalizada remédios hipnóticos para a insônia, principalmente os benzodiazepínicos. Isto pode acarretar sérios riscos a saúde da pessoa que utiliza esta substância sem um acompanhamento médico.

Deste modo, é necessário procurar um médico para realizar um diagnóstico preciso através de exames como o Eletrencefalograma. Assim, a partir do diagnóstico realizar o tratamento adequado com medicamento (sob orientação médica) e Psicoterapia para os quadros de ansiedade e depressão.

Fonte: Dalgalarrondo, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre -  Artemed, 2008. 

A força dentro de cada ser

"A luta pela vida não é peculiar ao homem. É comum a todos os seres vivos. Há animais que têm veneno para não serem devorados. Outros têm garras, dentes afiados. Outros têm a habilidade de tomar as formas e cores de seu ambiente para se disfarçarem e escaparem de seus perseguidores. As plantas têm espinhos para se defender." (Arthur Riedel). 

Cada um usa o recurso que tem para ajudar na sua manutenção, sobrevivência e crescimento: foge, disfarça, grita, finge de morto, luta, se defende, se esconde, se agrupa, se isola, se transforma, se adapta, evolui. 

Acontece que as vezes, a ameaça que nos abala e intimida nem sempre é real mas imaginária, talvez nem está lá fora, mas dentro de nós, quem sabe nem esteja no presente mas num passado distante ou num futuro que nem tem pretensão de ocorrer. No entanto, independente do estímulo ser fictício ou concreto, interno ou externo, futuro ou passado, temos mecanismos dentro de nós para ajudar-nos a contornar o que nos impede de fluir...

O autor Carl Rogers afirma que há em cada ser vivo uma força que o mesmo a denomina de Tendência Atualizante a qual todos os organismos possuem dentro de si fornecendo vastos recursos para o seu autodesenvolvimento, autorealização e manutenção. A boa notícia é que essa força está presente mesmo nas situações ditas, geralmente, como "ruins", "críticas" ou "desfavoráveis". Ou seja, se até nas condições adversas ela está presente imagine em condições favoráveis? Então, o que lhe impede de fluir? O que está impedindo sua autorealização genuína e plena?? A resposta pode está dentro de você!

Fonte: ROGERS, C.R. Os fundamentos de uma abordagem centrada na pessoa. In:_Um jeito de ser. São Paulo: E.P.U., 1983, cap.3, p.37-51. Tradução de Maria Cristina Machado Kupfer. 

Vamos "falar" do sigilo?

É preciso "falar" sobre a importância do sigilo profissional do Psicólogo.
É preciso falar do sigilo profissional
Existem pessoas que têm o receio de procurar um psicólogo por medo de ficarem expostas e terem seus "segredos" e questões particulares divulgados. No entanto, cabe ressaltar que o psicólogo tem um código de ética que norteia seu exercício profissional e assegura para que isto não venha acontecer. 

O sigilo, em seu significado, refere-se aquilo que não pode ou não deve ser revelado; segredo; discrição; reserva.

Frequentemente, percebo uma dúvida nas pessoas sobre o sigilo profissional do psicólogo, fato que pode gerar uma certa insegurança e desconfiança aqueles que procuram o serviço psicológico, justamente pela ausência de informações.

De acordo com o código de ética, é esclarecido o seguinte: "Art. 9º – É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional."

Desta forma, o psicólogo tem o DEVER de assegurar o sigilo a todos que dele recorrem o seu serviço. Isto implica a proteção de dados restritos e pessoais, de modo a preservar a intimidade e particularidade de quem utiliza seus serviços. Acredito que o Psicólogo também tem o dever informar e esclarecer a quem busca seu serviço sobre o sigilo que envolve seu exercício profissional. 

Fonte: http://site.cfp.org.br/legislacao/codigo-de-etica/

Será real ou virtual??

Será que o que sinto é real ou vitual?
Real ou virtual?
Num mundo onde a felicidade plena parece ser a única opção de ser, não há espaço para um dia triste, um desapontamento, quiçá uma depressão, por exemplo. A depressão por sinal está crescendo cada vez mais, mas você se pergunta: "Como a depressão está crescendo se na minha rede social só aparecem pessoas felizes e sorrindo? E cada vez essas pessoas felizes só aumentam", "Por que este mal iria me atingir?".

Desta forma, continuamos a julgar pelas aparências e a nos compararmos com o mundo "virtual", o mundo "aparente". Cabe ressaltar que depressão não é o oposto de felicidade, mesmo tendo a tristeza em seus sintomas, depressão vai além da tristeza, é algo profundo, comprometendo fisicamente e psicologicamente o indivíduo.

Neste cenário, a conscientização de que precisamos de uma possível ajuda tornar-se um tormento, um sinônimo de fraqueza ou indignação. "Logo eu? o que eu fiz para merecer?", "Qual o segredo dos outros para não adoecer?", "Por que as outras pessoas não sofrem?". E assim, nos questionamos e buscamos respostas atrás de respostas, comumente sem sucesso. 

Deste modo, aceitar nossa condição humana real e compreender que nem tudo, em nossa vida, podemos dar conta sozinhos é algo desafiador. Entender nossa singularidade e subjetividade diante de toda nossa realidade, não é uma tarefa fácil e confortante. Assim, procurar ajuda de um profissional é um sinal de coragem e força.Ainda mais no mundo em que a vida parece ser algo tão simples e a felicidade plena tão corriqueira...

Psicoterapia infantil: Do acolhimento pessoal ao início da relação terapêutica


Ao ser requerido para um atendimento infantil, acho conveniente e prudente acolher, primeiramente, o responsável legal da criança, que, provavelmente, já esgotou as suas tentativas de oferecer alguma ajuda diante de alguma dificuldade apresentada pela criança. O responsável, neste momento, contribuirá para obter dados e observações referentes à criança, possibilitando ao Psicólogo uma amplificação da compreensão relativa à mesma. Do mesmo modo, faz-se necessário acolher o responsável solicitante de forma clara e respeitosa, buscando, sempre que possível, responder as suas dúvidas e indagações referente ao processo.
    
    Cabe ressaltar que é preciso evitar, principalmente com crianças, “psicologizar” toda dificuldade que a mesma venha apresentar. Às vezes, uma criança que está com dificuldades em acompanhar as aulas na escola ou não quer copiar as matérias no quadro, pode estar apresentando um problema oftalmológico e não psicológico, por exemplo. Pode parecer algo simples, mas é preciso ter o cuidado para não ignorar outras possibilidades.
    
    Assim, considerando que a “demanda” requer um acompanhamento psicológico, é iniciado o processo terapêutico com a criança. Desta forma, a criança é recebida, acima de tudo, como pessoa detentora de sua infinita singularidade. Ali, ela terá a liberdade de ser e de se expressar, se assim desejar, da maneira que escolher, seja através do lúdico com: brinquedos, jogos, desenhos e pinturas, ou através da expressão oral. Deste modo, podemos juntos criar condições para lidar com sentimentos e emoções que só esta relação saberá o que irá surgir.