Paciência: Compreendendo processos, aceitando etapas.

Compreendendo o processo e aceitando etapas.
Ser paciente?
Observo o quanto a Paciência é de fato uma virtude. Somos convidados todos os dias a dar o próximo passo, a “correr atrás”, “ir além” dos nossos limites e não “ficar para trás”, então, em meio a tantas exigências, inevitavelmente, podemos perder a Paciência. Quem nunca ficou irritado com alguém que apenas nos orientou a ser mais paciente? Compreensivamente a questão não é fácil! Nossa rotina nos exige desafios constantemente. O tempo vai passando, o vencimento das contas vem cada vez mais rápido, os prazos no trabalho e no estudo se estreitam numa velocidade assustadora, os afazeres domésticos parecem que nunca têm fim. Então nos perguntamos: como ter paciência? 

Costumamos compreender a Paciência como um ato de aguardar, não se abalar ou saber esperar. Todavia ser paciente vai além, ou seja, nos convida a aceitar o processo e reconhecer nossos limites. Não podemos ter uma árvore sem antes plantar a semente e regá-la. Ao fazer um bolo é necessário separar os ingredientes, misturá-los e colocar no fogo na temperatura ideal. Tudo isso requer tempo e uma dedicação diária, alguns mais e outros menos. 

Em nossas vidas nos deparamos com muitos desses processos, no entanto, acabamos algumas vezes não respeitando o curso. Assim, começamos a pular etapas ou a trocar semente por ingrediente, árvore por bolo... Deste modo, paciência nos exige respeitar o ciclo, compreender as etapas e aceitar o processo, até mesmo se não der certo. Isso mesmo! Não temos garantias que a árvore vá crescer antes de ser cortada ou que o bolo cresça, mas não fique tão saboroso. Todavia, podemos preservar nossa energia ao invés de querer controlar o que está além no nosso alcance. Aprendendo a respeitar nossos limites, o do próximo e do universo. 

Será que é Bipolar??

Constantemente, deparo-me com pessoas que afirmam que algum amigo, parente ou conhecido “É Bipolar”. Geralmente, esta “conclusão” se estabelece devido à pessoa apresentar características como: “Uma hora fala uma coisa e depois muda”, “Um dia está satisfeito no outro dia insatisfeito”, “As vezes fala comigo, outras não fala”. Deste modo, será que esses critérios populares, realmente, definem se uma pessoa é ou não "Bipolar”?

Primeiramente, é preciso frisar que o transtorno Bipolar, ou também conhecido como transtorno maníaco-depressivo, é uma condição psiquiátrica caracterizada por episódios de depressão maior e mania (Tipo I) ou depressão maior e hipomania (Tipo II). 

A mania é um período de humor diferente do habitual, com duração mínima de uma semana e presente na maioria dos dias, caracterizada por autoestima inflada ou grandiosidade; redução da necessidade de sono; necessidade de falar mais do que o habitual; fuga de ideias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão acelerados; aumento da atividade dirigida a objetivos. O que diferencia a mania da hipomania é que na hipomania sua alteração de humor, diferente do habitual, tem duração mínima de quatro dias. 

A depressão maior é caracterizada pela presença de pelo menos cinco sintomas entre: Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias; Acentuada diminuição de interesse ou prazer em todas, ou quase todas, as atividades na maior parte do dia; Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta; redução ou aumento no apetite quase todos os dias; Insônia ou hipersonia quase diária; Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias; Fadiga ou perda de energia quase todos os dias; Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada; Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar; Pensamentos recorrentes de morte. Isto, se os sintomas estiveram presentes durante o mesmo período de duas semanas e representam uma mudança em relação ao funcionamento anterior. 

Assim, para uma pessoa ser diagnosticada como o transtorno Bipolar, deve apresentar os critérios acima apresentados. Cabe ressaltar que os sintomas também devem apresentar característica de causar um sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo, considerando também a frequência dos episódios, para serem precisamente diagnosticados. Cabe ressaltar que o diagnóstico só pode ser feito por um profissional devidamente habilitado e capacitado. 

Fonte: Dalgalarrondo, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre - Artemed, 2008. 

DSM-5 / [American Psychiatnc Association, traduç . Maria Inês Corrêa Nascimento ... et al.]; revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli... [et al.]. - . e . Porto Alegre: Artmed, 2014.

Multiplicidade da mulher contemporânea

A mulher contemporânea vem ganhando cada dia mais espaço na sociedade e assumindo papeis antes desempenhados apenas por homens.
Multiplicidade da mulher
A mulher contemporânea vem ganhando cada dia mais espaço na sociedade e assumindo papéis antes desempenhados apenas por homens. Esta mudança vem atingindo sua rotina e até mesmo seus projetos de vida. Atualmente, a mulher tem investido em construir uma carreira profissional, aumentar a sua dedicação aos estudos, participar da renda familiar e atingir uma independência financeira. 

Diante de tais fatos podemos perguntar: O que ocorreu com a mulher cuidadora do lar e responsável direta na educação dos filhos? Ocorre que ela continua com a mesma função, porém, acrescida de outros projetos de vida, como: carreira, estudos e etc.

Percebo o quanto é difícil encontrar uma análise crítica sobre o quê essas mudanças podem interferir e causar nas mulheres atualmente. Essa transformação vem sendo traduzida com total naturalidade, como se fosse muito fácil assumir esta multiplicidade de papéis traduzidos em “Ela dá conta de tudo”, “Hoje em dia todo mundo dá seu jeito”. 

Fico muito contente em perceber o espaço que a mulher contemporânea vem conquistando todo esse tempo, contudo, fico preocupado com as condições físicas e mentais envolvidas em toda essa metamorfose. Desperto a minha atenção à forma de como esses papeis “devem” ser assumidos. “Boa mãe”, “Eficiente gestora”, “ótima cozinheira”, “esposa atenciosa”, “excelente educadora”, dentre outros. Será que alguém está disposto a compreender que muitas das vezes ela pode não dar conta de tudo isso? A cobrança, às vezes, pode ser insensível e cruel, não me parece claro se é direcionada a uma pessoa ou a uma “Super poderosa”. Contudo, creio que é necessário compreender e considerar a mulher livre, independente, mas, sobretudo humana.