Medo e ansiedade. Há diferença?

Medo e Ansiedade
Comumente percebo o quanto as pessoas têm dúvidas sobre medo e ansiedade. Tal questionamento é pertinente já que é difícil falar de ansiedade sem falar sobre o medo, o que pode gerar uma confusão compreensiva. 

Primeiramente é preciso frisar que o medo é uma emoção básica universal que nos adverte sobre algum perigo iminente. O medo seria como um alarme que nos avisa sobre alguma ameaça real ou percebida. É uma reação automática que temos a uma circunstância potencialmente real de perigo. Ele nos coloca em alerta, por exemplo, quando sentimos um cheiro forte de queimado podendo induzir um risco de incêndio, quando escutamos um som da buzina próximo de nós quando vamos atravessar uma rua, naturalmente, o medo nos adverte e nos alerta nessas situações. 

Por outro lado, a ansiedade é uma sensação complexa, geralmente, provocada por um medo que ocasiona uma apreensão diante de uma ameaça futura, no entanto, a ansiedade é mais prolongada que o medo, podendo comprometer diretamente a vida do indivíduo gerando sintomas físicos como aumento da frequência cardíaca, falta de ar, dor ou pressão no peito, tremores, suor intenso, etc., assim como sintomas comportamentais de evitação de uma possível ameaça, agitação, dificuldade para falar, etc., além dos pensamentos como o medo de enlouquecer, medo de perder o controle, medo de morrer, entre outros. Cabe salientar que na ansiedade há sempre aquele pensamento no futuro do “E se?”, por exemplo, “E se o exame apontar uma doença?”, “E se começar uma guerra?” ou aquela ideia do “Vai que”, isto é, "Vai que o meteoro cai amanhã”, “vai que o médico não consegue operar?”. 

É evidente que todos já sentimos ansiedade, em algum nível, em nossas vidas. Quem nunca se sentiu ansioso em se preparar para uma prova? Ou em realizar algum exame médico que nunca escutamos falar? Ou em se preocupar se conseguiríamos fechar a conta, no final do mês, depois de algum imprevisto mensal? No entanto, devemos ficar atentos quando a ansiedade começar a comprometer, significativamente, a nossa vida pessoal e social impedindo de realizar, por exemplo, tarefas simples que eram desempenhadas até o momento como sair de casa, ter uma noite de sono, ir trabalhar, etc. Neste caso, é recomendável que o indivíduo procure um profissional habilitado (Psicólogo, Psiquiatra) de sua confiança para uma possível avaliação e acompanhamento.

"Você não precisa estar por um fio."

Por vezes, deparo-me com pessoas me perguntando sobre quando devemos iniciar uma psicoterapia. Primeiramente, é preciso frisar que existem inúmeros fatores pelos quais uma pessoa poderia solicitar uma ajuda ao Psicólogo, como por exemplo: se sentir deprimido, angustiado, estressado, ansioso, passando por luto, buscando por autoconhecimento, passando por conflitos emocionais, uma crise existencial, dentre outros. O Psicólogo, por sua vez, poderá dá suporte psicológico a cada questão anteriormente mencionada. De acordo com Amatuzzi, a contribuição fundamental do Psicólogo para as pessoas com demandas pessoais e subjetivas é basicamente ofertar uma “caixa de ressonância” onde à própria pessoa possa se ouvir e encontrar uma saída. Carl Rogers ressalta que a psicoterapia “desempenha um papel extremamente importante na libertação e no processo de facilitação da tendência do organismo para um desenvolvimento psicológico ou para sua maturidade.”.

Assim, fica evidenciado que há diversas questões em que podemos procurar um Profissional e que o Psicólogo pode dar apoio psicológico em grande parte delas, mas qual o momento certo de procurar ajuda? A princípio, é sabido que ninguém conhece mais sobre a nossa pessoa que nós mesmos, assim, conseguimos perceber que algo não está bem conosco, que existe algo diferente ou que alguma coisa está incomodando o nosso ser. No entanto, temos o costume de perceber tais situações e não se importar, igual um barulho diferente do carro que insistimos em desconsiderar até que chega uma hora que o carro para de vez. Ou aquele incomodo no dente que só procuramos um dentista depois que o ato de mastigar vira uma missão impossível. Dessa maneira, somos capazes de reconhecer que algo não está bem e desprezamos este sinal, esperamos “o carro parar”, a dor ficar insuportável, para então, tomar uma providência. Assim, reafirmo a importância de se respeitar o que diz o fundo do seu ser “Você não precisa estar por um fio para procurar ajuda”.

Referencias:

Amatuzzi, Mauro Martins. Rogers: ética humanista e psicoterapia. Campinas, SP: Editora Alinea, 2012. 2ªedição.

Rogers, Carl R, Tornar-se pessoa. São Paulo. Editora WMF Martins Fontes, 2009. 6ªedição.

Depressão: Vamos conversar?

     
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão no mundo, esta doença é caracterizada (de acordo com o DSM-V) pela presença de pelo menos cinco dos sintomas listados abaixo, sendo que em pelo menos um dos sintomas deve estar presente o “humor deprimido” ou “perda de interesse ou prazer”.
SINTOMAS :
· Humor deprimido na maior parte do dia.*
· Acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades na maior parte do dia.*
· Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta ou redução ou aumento do apetite.* 
· Insônia ou hipersonia.*
· Agitação ou retardo psicomotor.*
· Fadiga ou perda de energia.*
· Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada (que podem ser delirantes).*
· Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, ou indecisão.*
· Pensamentos recorrentes de morte (não somente medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, uma tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio.

      É preciso frisar que os sintomas devem estar presentes durante o mesmo período de duas semanas e representarem uma mudança em relação ao funcionamento anterior da pessoa, causando sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. Cabe ressaltar que o episódio não pode ser atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou a outra condição médica.

     O aumento significativo da doença vem preocupando e ligando um alerta em muitos países. Segundo a OMS, a falta de apoio e o medo do estigma são os principais motivos que impedem as pessoas com depressão buscarem um tratamento. Deste modo, a organização lançou a campanha “vamos conversar”, justamente para que as pessoas que estejam apresentando sintomas depressivos busquem uma ajuda. Vale salientar que a depressão pode afetar a todos nós, independente de idade, raça ou história pessoal. É possível obter ajuda, "vamos conversar". 

* O sintoma deve ser apresentado quase todos os dias.

Psicólogo: Raphael Miranda.